Adotarei o amor
Gibran Khalil Gibran


Adotarei o amor por companheiro
 e o escutarei cantando, 
e o beberei como vinho,
 e o usarei como vestimenta. 

Na aurora, o amor me acordará
 e me conduzirá aos prados distantes. 

Ao meio dia, conduzir-me-á à sombra das árvores
 onde me protegerei do sol como os pássaros. 

Ao entardecer conduzir-me-á ao poente, 
onde ouvirei a melodia da natureza
 despedindo-se da luz, 
e contemplarei as sombras da quietude
 adejando no espaço. 

À noite, o amor abraçar-me-á,
 e sonharei com os mundos superiores onde
 moram as almas dos enamorados e dos poetas. 

Na primavera, andarei com o amor, lado a lado,
 e cantaremos juntos entre as colinas; 
e seguiremos as pegadas da vida,
 que são as violetas e as margaridas; 
e beberemos a água da chuva,
 acumulada nos poços,
 em taças feitas de narciso e lírios. 

No verão, deitar-me-ei ao lado do amor
 sobre camas feitas com feixes de espigas, 
tendo o firmamento por cobertor e a lua
 e as estrelas por companheiras. 

No outono, irei com o amor aos vinhedos
 e nos sentaremos no lagar, 
e contemplaremos as árvores se despindo
 das suas vestimentas douradas 
e os bandos de aves migratórias
 voando para as costas do mar. 

No inverno, sentar-me-ei com o amor diante
 da lareira e conversaremos 
sobre os acontecimentos dos séculos
 e os anais das nações e povos. 

O amor será meu tutor na juventude, 
meu apoio na maturidade, 
e meu consolo na velhice. 

O amor permanecerá comigo até o fim da vida, 
até que a morte chegue, 
e a mão de Deus nos reuna de novo. 

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Web designer Ana Amélia Donádio
Página editada em 15/04/2007
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