AUSÊNCIA
(Carlos Drummond de Andrade) 


Por muito tempo achei
Que a ausência era falta.
E lastimava ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.



Não há falta na ausência
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
Aconchegada nos meus braços
que rio e danço
e invento exclamações alegres,
Porque a ausência,
Essa ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.


 

 

 

Romantic Home/ Web designer Ana Amélia Donádio
Página reeditada em 16/07/2003.
®DireitosAutoraisReservados©