AVATARES
Autor: Wilson Giampietro Ribeiro



Adivinho, em mim, um formidando complexo
de vidas, de experiências, de provas acerbas
e terríveis, cujas cicatrizes marcam meu Eu,
envolvem-no num amplexo aspérrimo, qual um novo Prometeu !



Há, no meu ser, sempre a crescer, em catadupas violentas,
uma terrível tormenta; um tremendo escarcéu !
Rugem, nele, em fúria desabrida, tempestades cruentas
de agonias, de desesperações, de dor insana, que minam
minha resistência humana, como se fôra u'a maldição do Céu !



Presa desse Leviatã medonho, sou um náufrago
em meio às turbulências todas, às vulcânicas procelas
que, rábidas, varrem o Espaço, como cósmicas lanças de aço
reduzindo a pedaços as estruturas do meu Universo !



Só, no horror da procela, ergo os olhos para o Infinito: 
em meu crânio aflito - onde raiva um temporal medonho -,
habita também o Sonho; habita, com ele, a Dor !
Habita a dor do Pária; do deserdado da Sorte, 
que, debalde, busca um Norte; busca, inquieto, o Amor !



Busca o Amor que não existe; o que encontra, triste é dizê-lo:
é cáustica tortura; é tormento; é aflição; é medo;
é o desespero do Galé, no degredo; é a superlativação do horror !
É a insânia do suicida; é a negação da Vida !
Numa palavra: é tão-somente D O R !


drgiampietro@hotmail.com

 

        

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Página editada em 09/12/2002.
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