CAVALHEIRO
Fátima Irene Pinto


Desculpa-me cavalheiro,
mas vou quebrar o protocolo
e vou tirar-te para dançar...
não te assustes com a minha ousadia.



Ouça como é linda a melodia,
e eu simplesmente não resisti...
olhei para teu corpo moreno e esguio,
e teu porte me soou como um desafio.

Todos os cavalheiros do salão,
sumiram do meu campo de visão...
só tive então olhos para ti.



Ouça como é linda esta canção.
Envolva-me nos teus braços delicadamente...
permita-se embriagar pela meia luz, pela ambiência,
pelos acordes e por tudo que eles possam evocar.

Vem, cavalheiro,
vem dançar esta melodia e não repare,
se além da minha ousadia e da quebra de protocolo,
eu quiser me achegar... é que tua pele macia,
cheirando a pinho do alto da serra,
encerra encantos de raro carisma...
não resisti e vim tirar a cisma e estou aqui a tua frente,
pedindo que me tires para dançar.



Não repares, cavalheiro,
se esta dama atrevida olhar fundo
nos teus olhos castanhos, quase a encarar ...
achegar-se comovida no teu corpo varonil,
quase a apertar ...
deslizar as mãos com doçura pela tua nuca ...
roçar os lábios nos teus lábios silentes
 que incitam a beijar.

Se quiseres uma contradança formal,
prometo me comportar... mas cavalheiro,
eu não me importarei e nem me sentirei ultrajada,
se no meio da contradança, estancares o teu passo,
junto à multidão, abrindo espaço,
 puxando-me pela mão,
arrancando-me do salão...



Então não digas nada cavalheiro, porque não é preciso.
Teu gesto apenas me diz que pudestes interpretar
a linguagem secreta do meu coração!!!



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Página editada em 18/04/2003.
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