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Encerrando Ciclos
Gloria Hurtado
Sempre é preciso saber
quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela
mais
do que o tempo necessário,
perdemos a alegria
e o sentido das outras
etapas
que precisamos viver...
Encerrando ciclos, fechando portas,
terminando capítulos.
Não importa o nome que damos,
o que
importa é
deixar
no
passado
os momentos da vida que já se acabaram...
Foi despedida do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada
desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se
perguntando
por que isso
aconteceu...
Pode
dizer para si
mesmo que não dará
mais um
passo enquanto não entender as razões
que
levaram certas
coisas, que eram
tão importantes
e sólidas em sua vida,
serem subitamente transformadas em pó...
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos:
Teus amigos,
Teus
filhos,
teus
irmãos,
todos estarão encerrando capítulos,
virando a folha, seguindo adiante,
e todos sofrerão ao ver que você está parado...
Ninguém pode
estar ao mesmo
tempo
no presente e no passado,
nem mesmo quando tentamos entender
as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará...
Não podemos ser eternamente meninos,
adolescentes tardios,
filhos que se sentem culpados
ou rancorosos com os pais,
amantes que
revivem noite e
dia
uma ligação com quem já foi embora
e não tem a menor possibilidade de voltar.
As coisas passam, e o melhor que
fazemos
é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante
(por mais doloroso que seja)
destruir recordações, mudar de casa,
dar muitas coisas para orfanatos,
vender ou doar os livros que tem...
Tudo neste mundo visível
é uma manifestação do mundo invisível,
do que está acontecendo em nosso coração
e o desfazer-se de certas
lembranças
significa
também abrir espaço
para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora, soltar, desprender-se...
Ninguém está jogando nesta vida
com cartas marcadas,
portanto às vezes
ganhamos
e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo,
não espere que reconheçam seu esforço,
que descubram seu gênio,
que compreendam seu amor...
Pare de ligar sua televisão emocional
e assistir sempre ao mesmo programa,
que mostra como você sofreu com determinada perda:
isso o
estará
apenas envenenando, e nada mais...
Não há nada mais perigoso que rompimentos
amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego que não têm
data marcada para começar,
decisões que sempre são adiadas
em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo,
é preciso terminar o antigo:
diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época
em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa.
Lembre-se
que nada
ou
ninguém
é insubstituível,
um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil,
mas é muito importante.
Encerrando ciclos, não por causa do orgulho,
por incapacidade, ou por soberba,
mas porque simplesmente
aquilo já não se encaixa mais na sua
vida.
Feche a porta, mude o disco,
limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era,
e se transforme em quem você é...
Esta é
a vida!
*GLORIA HURTADO (psicóloga colombiana)
Jornal El Pais de Cali
21.01.2003
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