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Definitivo
Emílio Moura
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa
dor não
advém
das
coisas
vividas,
mas das
coisas
que
foram
sonhadas
e
não se
cumpriram.
Sofremos
por
quê?
Porque
automaticamente
esquecemos
o que
foi
desfrutado e
passamos a
sofrer
pelas
nossas
projeções irrealizadas,
por
todas as
cidades
que
gostaríamos
de ter
conhecido
ao lado do nosso
amor
e
não
conhecemos,
por
todos os
filhos
que
gostaríamos
de ter tido
junto
e
não
tivemos,
por
todos os
shows
e
livros e
silêncios
que
gostaríamos
de ter
compartilhado,
e não
compartilhamos.
Por
todos os
beijos
cancelados,
pela
eternidade.
Sofremos
não
porque
nosso
trabalho
é
desgastante e
paga
pouco,
mas por
todas as horas
livres
que
deixamos
de ter
para ir
ao
cinema,
para
conversar
com um amigo,
para
nadar,
para
namorar.
Sofremos
não
porque
nossa
mãe
é
impaciente
conosco,
mas por
todos
os momentos
em que
poderíamos
estar
confidenciando a
ela
nossas
mais
profundas angústias
se ela
estivesse
interessada
em nos
compreender.
Sofremos
não
porque
nosso
time
perdeu,
mas pela
euforia
sufocada.
Sofremos
não
porque
envelhecemos,
mas
porque o
futuro
está
sendo
confiscado
de nós,
impedindo
assim
que mil
aventuras
nos
aconteçam,
todas
aquelas
com as
quais
sonhamos
e
nunca
chegamos a
experimentar.
Por que
sofremos
tanto
por
amor?
O certo
seria a
gente
não
sofrer,
apenas
agradecer
por
termos
conhecido
uma pessoa
tão
bacana,
que
gerou em
nós
um
sentimento
intenso e
que nos
fez
companhia
por um
tempo
razoável,
um
tempo
feliz.
Como
aliviar a
dor do
que não
foi
vivido?
A
resposta é
simples
como um
verso:
Se
iludindo
menos e
vivendo
mais!!!
A cada
dia que
vivo, mais me
convenço
de que o
desperdício
da vida
está no
amor que
não
damos,
nas
forças
que não
usamos,
na
prudência
egoísta
que nada
arrisca,
e
que,
esquivando-se
do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional....
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