EVIDÊNCIAS
Fátima Irene Pinto

Quem ama sente ciúmes
 (muito ou pouco, não importa), 
mas sente sim . 
Quem deixou de amar já não se importa 
e deixa o outro totalmente à vontade, 
para que ele próprio possa estar também assim. 

Quem ama,
 vez por outra dá uma patrulhada no território 
e delimita as suas fronteiras. 
Quem deixou de amar já não fiscaliza, é frio, 
controlado e jamais perde as estribeiras. 



Quem ama sempre acha tempo
 e encontra um jeito para estar com seu amor. 
Quem deixou de amar vai postergando sem pressa, 
deixando que o vento sopre a seu favor. 

Quem ama faz perguntas pessoais
 e usa muito o pronome "nós". 
Quem deixou de amar conversa banalidades 
e esquece o significado do advérbio "a sós". 



Quem ama quer saber da vida do outro
 com detalhes e transparência. 
Quem deixou de amar se esquiva
 e não cobra do outro mais nada, 
nem ao menos coerência. 

Quem ama é pródigo em e-mails, telefonemas 
e com muito carinho dá um jeitinho
 de marcar presença. 
Quem deixou de amar é pródigo
 em desculpas e pretextos 
com os quais passa um verniz
 para disfarçar a indiferença. 



Quem ama é naturalmente fiel 
e está sempre voltado às necessidades do outro ser. 
Quem deixou de amar só é fiel a si próprio
 e ao seu bem estar 
e já não percebe os danos que causa,
 querendo ou sem querer. 

Quem ama mas não pode corresponder
 por imperativos das circunstâncias, 
abre o jogo e usa de sinceridade. 
Quem deixou de amar não descarta o outro do baralho, 
para o caso de uma eventualidade. 



Será que neste momento você ama
 ou deixou de amar? 
Será que devo lhe querer ou lhe deixar? 
Se ainda ama, eu sei que providências irá tomar. 
E se já não ama, com certeza irá se calar...
 ou talvez até dizer: 
- Face ao exposto, nada tenho a declarar!

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Página editada em 15/11/2004.
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