Gozo e dor
Almeida Garret


Se estou contente, querida, 
Com esta imensa ternura 
De que me enche o teu amor? 
- Não. Ai!, não; falta-me a vida, 
Sucumbe-me a alma à ventura: 
O excesso de gozo é dor. 
Dói-me alma, sim; e a tristeza 
Vaga, inerte e sem motivo, 
No coração me poisou, 
Absorto em tua beleza, 
Não sei se morro ou se vivo, 
Porque a vida me parou. 
É que não há ser bastante 
Para este gozar sem fim 
Que me inunda o coração. 
Tremo dele, e delirante 
Sinto que se exaure em mim 
Ou a vida - ou a razão. 

Respeite os Direitos Autorais
Mantenha sempre a Autoria.

 

 

 

 

Web designer Ana Amélia Donádio
Página editada em 02/06/2009
®DireitosAutoraisReservados©