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Importa a mim
Cleide Canton Garcia
Quantos brados de amor,
quantos gritos de dor
explodem na alma poeta
de um fingidor!
Quantas almas alcança,
quantos corações
balança!
Tantas ilusões acalenta,
tantas vidas inventa.
Mil beijos trocados
sedentos, apaixonados,
abraços apertados,
sonhos enjaulados.

Ah! Poetas!
Eternos apaixonados
que buscam a ousadia
na madrugada vazia.
Os versos fluem soltos
de toda a beleza
envoltos
vestidos das mesmas
cores
que testemunharam teus
tantos amores.
No breu da tua noite
a espera é felina, é
açoite
a machucar teu coração
sempre vítima de um não.
Então, a pena desliza,
a saudade ameniza
e aquele olhar que no
tempo se perdeu
te recorda o sonho que
ainda não morreu.

Ah! Poeta!
Mesmo com o peito
ardendo em chamas
desdizendo os mitos que
proclamas
ainda consegues dos meus
lábios um sorriso
e me levas a conhecer o
teu falso paraíso.
Mas a quem isto tudo
importaria?
Aos olhos ávidos
que se deliciam com teus
poemas?
Aos sorrisos pálidos
que não entendem os teus
dilemas?
Ou a mim, talvez,
que sondo todos os teus
porquês
que acompanho o teu
caminhar
e choro com o teu
chorar.

Importaria a mim
musa de vaidades despida
e de tolas paixões
protegida
conhecer o teu eu
verdadeiro
para que tivesses a mim
por inteiro.
Importaria a mim
desvendar
as entrelinhas do teu
poetar
e todo o silêncio que
paira em teu olhar.
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Canton
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