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Pedra Filosofal
Manuel Freire
Poema de António Gedeão


Eles não sabem que o sonho 
é uma constante da vida 
tão concreta e definida 
como outra coisa qualquer 
como esta pedra cinzenta 
em que me sento e descanso 
como este ribeiro manso 
em serenos sobressaltos 

como estes pinheiros altos 
que em verde e oiro se agitam 
como estas árvores que gritam 
em bebedeiras de azul 

eles não sabem que sonho 
é vinho, é espuma, é fermento 
bichinho alacre e sedento 
de focinho pontiagudo 
no perpétuo movimento 

Eles não sabem que o sonho 
é tela é cor é pincel 
base, fuste ou capitel 
arco em ogiva, vitral 

Pináculo de catedral 
contraponto, sinfonia 
máscara grega, magia 
que é retorta de alquimista 

mapa do mundo distante 
Rosa dos Ventos Infante 
caravela quinhentista 
que é cabo da Boa-Esperança 

Ouro, canela, marfim 
florete de espadachim 
bastidor, passo de dança 
Columbina e Arlequim 

passarola voadora 
pára-raios, locomotiva 
barco de proa festiva 
alto-forno, geradora 

cisão do átomo, radar 
ultra-som, televisão 
desembarque em foguetão 
na superfície lunar 

Eles não sabem nem sonham 
que o sonho comanda a vida 
e que sempre que o homem sonha 
o mundo pula e avança 
como bola colorida 
entre as mãos duma criança

 

 

   

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Romantic Home/ Web designer Ana Amélia Donádio
Página editada em 20/05/2008
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