SILÊNCIO
Florbela Espanca


No fadário que é meu, neste penar,
noite alta,noite escura,noite morta,
sou o vento que geme e quer entrar,
sou o vento que vai bater-te a porta...
vivo longe de ti, mas que me importa?
Se eu já não vivo em mim,ando a vaguear.
Em roda a tua casa, a procurar
beber-te a vez,apaixonada, absorta!
Estou junto a ti e não me vês...
Quantas vezes no livro que tu lês.
Meu olhar se pousou e se perdeu!
Trago-te como um filho nos meus braços!
E na sua casa...Escuta! uns leves passos...
Silêncio! meu amor!...abre!... sou eu!...

 

 

 

               

Página editada por Ana Amélia Donadio
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