Simples Assim
Nádya Haua


Eu queria um amor assim:
Sem mácula, sem fronteira
Sem limite, sem barreira.
Um amor sem pecado
Sem castigo, sem pudor, sem abrigo.
Um amor sem proibição
Que transmita calor
Que não tenha ambição.
Eu queria um amor assim:
Que me deixe vulnerável
Que ultrapasse o acaso
Um amor não miserável
Que desconheça o fim.
Eu queria um amor assim:
Que trilhasse a cada dia
O longo caminho e certo
Que fizesse fluir a poesia
Em meu mundo deserto e,
Na essência do caminho,
Deixasse nus, os seios encobertos.
Eu queria um amor assim:
Que despertasse a melodia
Que os ouvidos não ouvem mais
Que fosse generoso e explodisse em gozo
No corpo de escultura fugas.
Que fosse coerente, doce, indecente
Como o amor que se sente
Ao relembrar os anos vividos, perdidos
Cujo tempo, sepultou lá atrás.
Eu queria um amor assim:
Simples, um tanto tímido
Como o olhar do menino
desejando a mulher conquistar.
Um amor eterno e sem vaidade
Que semeie a esperança
E floresça a eternidade.
Um amor sem crendices,
alicerçado na mais pura realidade
Um amor que alforrie a mulher
Da cruel e impiedosa saudade.
Ah, como eu queria...
Um amor que chegasse ao romper da aurora,
No alvorecer
e repousasse em meus braços cansados
Na eterna paz do anoitecer.
Ah, como eu queria...
Um amor simples assim
Como o amor que tenho por você.

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