Ternura
Vinícius de Moraes


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
 seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
 dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
 dos que aceitam melancolicamente.

E posso te dizer
 que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
 nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
 dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
 um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
 muito quieta
E deixes que as mãos
 cálidas da noite
 encontrem sem fatalidade
 o olhar extático da aurora. 

Respeite os Direitos Autorais
Mantenha sempre a Autoria.

 

 

 

 

Web designer Ana Amélia Donádio
Página editada em 22/02/2006
®DireitosAutoraisReservados©