Última prece
Cleide Canton Garcia


Senhor!
Estou no paraíso?
Por que estas portas abertas para mim?
Estou no Sem Fim?

Quanta vez por ti bradei,
quanto pranto sofrido derramei,
quantos inimigos enfrentei,
quantas dores acumulei...
Ah! Senhor!
Hoje te vejo a minha espera.
Tens um olhar tão sereno
que me arrasta ao torpor.



Eu, Senhor?
Nada fiz para merecer tanto amor.
Sou apenas um
entre tantos aventurados
que receberam a graça de crer em ti.
Sou apenas um
entre tantos sofredores
que fizeram ecoar seus temores
e se perderam em si.

Como é diferente o teu amor,
Senhor!
Entrego-me maravilhada
pela tua luz iluminada.
Eu, Senhor?
Olha, já me deste tudo,
e neste mundo
tanta gente ainda sofre.
Tanta gente nem sabe o que é sorrir
sem flor alguma no jardim a florir.



Tantas crianças desorientadas
do seu rebanho desgarradas
sem destino,
sem carinho,
sem um ninho.
Por que deste inteligência ao homem, Senhor!
Melhor talvez seria
se não houvesse o racional,
se todos pertencêssemos
ao único gigantesco mundo animal.
Não desviaríamos o rumo da tua natureza,
não macularíamos a tua beleza.

Senhor!
Ainda estás aí?
Não morri?
Então escuta-me um pouquinho mais:
Devolve 
a esta terra sua paz e seu amor.
e se puderes,
envia tua luz sobre todas as mulheres.
Mulheres meninas,
mulheres adolescentes, 
mulheres carentes,
mulheres sofridas,
mulheres mal queridas,
incompreendidas,
mulheres que amam e se desencantam,
mulheres que se perderam,
mulheres que de ti se esqueceram.

Abençoa, Senhor,
os teus rebentos
e, quem sabe amanhã,
por teu querer,
haverá um novo tempo,
um novo mundo,
um eterno amanhecer...



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Página editada em 29/11/2003.
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