Vês, amor?
Cleide Canton


Vês, amor,
os leves sulcos gravados
nesta minha face cansada?
São caminhos das lágrimas
que deixei rolarem por ti.

Ouves, amor,
a fala rouca e desgastada
nos diálogos, hoje, tão raros?
Resulta das descomedidas preces
nas quais pedi a Deus por ti.

Percebes, amor,
os meus braços jogados
ao longo do corpo, inertes?
Esgotaram-se em tantos abraços
que o envolveram nas tuas chegadas.

Notas, amor,
a ausência de luz no meu olhar
quando tento brincar com estrelas?
Foram as nuvens negras dos desencantos
que neles pousaram com a tua indiferença.

Sentes, amor, 
a frieza desta mão descuidada
onde ainda reluz uma argola no anular?
Foi a falta do calor de um carinho
que nem tentaste retribuir.

Entendes, amor,
que este coração desarmado
consegue ainda dançar em ritmia?
Não é por ti que ele persiste...
Persiste e dança
porque ainda se enche de fé
e abraça a esperança.

Veja outras Poesias da Autora
Página Poética de Cleide Canton

Respeite os Direitos Autorais
Mantenha sempre a Autoria.

 

 

 

 

Copie o código para colar no scrap do Orkut
 

Web designer Ana Amélia Donádio
Página editada em 19/03/2009
®DireitosAutoraisReservados©